sábado, 22 de agosto de 2009

Nájera - Santo Domingo de la Calzada - 21km

Acabei nao comentando ontem, mas quando chegamos ao albergue de Nájera descobrimos que ele nao ia abrir. Havia um aviso na porta pedidndo que seguissemos mais 6 km até o próximo albergue. Isso porque na noite anterior um dos hospitaleiros faleceu depois de sofrer um infarte. Por sorte, mesmo tristes e abatidos, resolveram abrir. A tarde, para agradecer, compramos uma planta para dar de presente aos hospitaleiros e fizemos um grande cartao com a assinatura de todos os peregrinos e mensagens em diversas linguas. A entraga foi emocionante, mas nao tirei fotos em respeito a dor deles.

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(No vídeo só dou um sorriso porque o Pierre passou e fez uma careta bem na hora que eu estava gravando)
Hoje o dia está sendo especial. Saímos de Nájera às 6h30. Uma hora e meia de caminhada depois (uns 6km) a Jo se deu conta de que tinha perdido um pé de sua sandália (ela costuma pendurar as papets na mochila). Mais adiante, ao passra por um povoado, um rapaz nos alcançou e pediu um beijo para ela. Ela perguntou porque ele queria um beijo e ele se virou de costas. Perguntamos porque ele estava fazendo isso e ele disse: "Achei a sua sandália, está pendurada aí atrás", mas nao havia nada pendurado atrás da mochila dele. Também havia perdido (acho que o velcro nao está bom). O rapaz, que era italiano, ficou super sem graça coitado.

Continuamos nossa caminhada e mais adiante Jo resolveu pendurar o outro pé da sandália num cone na beira do caminho, já que nao seria mais útil. Pierre a pegou de volta sem que Jo visse. Ele me disse que pretendia comprar uma nova para ela na próxima cidade e fazer uma surpresa e ia levar para ver o tamanho.

Quando chegamos em Santo Domingo encontramos a Leire e o Ivan e fomos nos despedir deles, pois deixam o caminho hoje e voltam a trabalhar na segunda feira. Quando contei a história da sandália para eles a leire fez uma cara de espanto. "Pois essa sandália está comigo, eu a encontrei e trouxe para deixar aqui no albergue!". Josélia ficou desolada. "Mas eu joguei o outro pé fora". Entao contei que Pierre estava com outro pé e o espanto foi geral.
Nos damos muito bem com Pierre, mas logo teremos que nos separar. Ele pretende fazer o caminho em mais dias e, embora goste da nossa companhia nao vai poder continuar a fazer etapas tao longas. Caminhei um tempo atrás dele e da Jo e chorei pensando na separaçao iminente. (Uma curiosidade: Pierre tem a mesma idade do pai da Jo, a Jo a mesma idade da filha dele, e somando a minha idade com a da Jo teremos como resultado a idade de Pierre).
Também ficamos muito amigos de marco, um belga que fala 5 idiomas (português nao) e está no caminho há 2 meses. Saiu de sua casa na Belgica em junho. Eu, Jo, Pierre, Marco e Eva combinamos de fazer um jantar juntos no albergue. Logo vamos sair para comprar as coisas, quero jantar cedo para ir a missa.
Santo Domingo de la Calzada é famosa devido a um milagre ocorrido aqui. Dizem que um peregrino, certa vez, foi enforcado injustamente na cidade. Quando o pai do peregrino foi retirar seu corpo da forca percebeu que ele estava vivo e foi contar ao prefeito da cidade (ou coisa assim)que havia aconteceido um milagre. Pois o prefeito nao acreditou e ainda disse que se o peregrino estivesse vivo, que a galo que estava assado na mesa se levantasse. Na mesma hora o frango assado levantou e começou a cantar. (Claro que esse é um resumo da história).
Adoramos Santo Domingo logo de cara. O albergue é simplesmente incrível! Creio que nao exiatam hotéis pelas redondezas tao bons quanto o albergue municipal. O prédio é novo e moderno, muito "glamuroso" como disse-me um espanhol. O atendimento dos hospitaleiros também é ótimo. E pensar que pagamos só 5 euros por todo esse conforto. Tem até internet rápida e conexoes usb! 1 euro por uma hora! Nos demais albergues a internet custava 1 euro por 20 minutos e era super lerda.

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A cozinha é exelente, por isso resolvemos cozinhar aqui hoje. Depois vamos visitar a cidade, comprar as coisas no supermercado e jantar. Depois da janta quero ir na missa. Na igreja tem uma gaiola com um galo para recordar o milagre. Dizem que se o galo cantar é sinal de boa sorte no resto do caminho.
Chegada à Nájera

Deixando Nájera ao amanhecer

Indicaçoes do Caminho

Em algum lugar do Caminho

6 comentários:

Luciana disse...

Sandro,

Seus relatos estão cada dia melhores, principalmente com os pequenos vídeos.
O Caminho é sempre cheio de histórias especiais, como essa da papete da sua prima. Comigo aconteceu algo parecido! Um abraço! Luciana

"Drª" Nathy disse...

Sandro...estou adorando acompanhar vcs através dos relatos e dos vídeos, agora com a aproximação da prova da OAB, só interrompo os estudos para entrar no blog e ver o que anda acontecendo. =)
Meus intervalos são sempre bem recompensados, com os posts emocionantes. bjs e bom caminho!

Luciano disse...

Nossa essa história das sandalhas em que coisa...

Aline disse...

Olá Sandro... acabei de receber um e-mail da minha tia (Inês Hilgenstieler) comentando que você provavelmente passará por Londres... estou aqui desde março, se precisar algo é só mandar e-mail... alinitxa@yahoo.com.br
Estou fazendo algumas viagens até final de setembro e dia 4 de outubro volto para o Brasil...
Aproveite a viagem...

Boa sorte em td...

Abraço...

Aline

Jose William disse...

Como falei em outro comentario que nada é por acaso, endenderas lendo o Livro "Nosso Lar" da Federação Espírita Brasileira.
Que a Luz do Divino Mestre continui a Ilumina-los

Syl disse...

Caraca!
Lendo o relato da papete me remeteu DIRETO ao que aconteceu comigo! Foi mto parecido, só que mais p/ frente (chegando em Hontanas).
Eu tinha perdido um pé, q tb estava pendurado na mochila. O outro pé foi aparecer no dia seguinte, em Castrojeriz. Só q no meu caso, eu não tinha jogado fora o outro pé.
Tô adorando seu blog.
Força, ultreya, e buen camino!
bjs