segunda-feira, 18 de maio de 2009

A loucura de percorrer 800km a pé (Faltando 85 dias)



A meu ver, o primeiro e grande passo na preparação para se percorrer o Caminho de Santiago é saber exatamente por que decidiu fazê-lo. Afinal, ninguém acorda um belo dia e, sem mais nem menos, diz: “Vou para a Espanha caminhar 800 km”, não é mesmo?

No meu caso, a opção pela peregrinação foi o resultado de um processo. Tudo começou em 2005, quando estive muito próximo da morte. Minha visão da vida mudou radicalmente depois dessa experiência (que não vem ao caso descrever em detalhes). Aprendi muitas coisas naquele dia. Aprendi que a vida é efêmera, que basta um piscar de olhos e tudo acaba. Percebi que passamos muito tempo nos preocupando com coisas que, no fim das contas, na verdade não tem tanta importância. Que vivemos numa espécie de letargia e que a vida simplesmente passa sem que se viva efetivamente. E o mais importante, senti a presença de Deus de uma forma que nunca havia sentido antes.

Confesso que sempre fui cético em relação a religião. Embora tenha crescido na igreja católica nunca me senti envolvido de verdade. E naquele dia, quando estive perto de morrer, quando o filmezinho da minha vida passou diante dos meus olhos, senti o Deus perto de mim e o quanto ele me amava. Parece loucura, mas esse é o tipo de coisa da qual só quem já experimentou vai entender realmente do que estou falando.

Depois disso passei a ter uma outra consciência da minha existência. Passei a freqüentar as missas e a realmente compreende-las. Mais tarde fui convidado a fazer parte do grupo de Treinamento de Lideres Cristãos — TLC minha paróquia, tive a oportunidade de participar das chamadas Oficinas de Oração e, mais tarde, acabei assumindo a coordenação da Pastoral do Adolescente.

Não resolvi fazer o Caminho de Santiago para viver uma experiência mística a la Paulo Coelho, Nem pela simples aventura ou pelo turismo. Minha ida para a Espanha também não tem nada a ver com fuga da realidade nem com a busca de Deus, pois já O encontrei aqui mesmo. Trilhar o caminho, para mim, será muito mais um exercício de fortalecimento da fé e da confiança em Deus que qualquer outra coisa.

Mas precisa ir pra Espanha para exercitar a fé? Sinceramente, não precisa mesmo. Aqui no Brasil, inclusive, existem vários trajetos semelhantes para se percorrer a pé, com paisagens tão (ou até mais) deslumbrantes que as da Europa. Mas o fato de estar em outro país, inserido em outra cultura, a meu ver, torna a experiência ainda mais enriquecedora e os desafios ainda maiores.

Para concluir, posso dizer que fui “chamado” a percorrer o caminho. Sei que é meio complicado compreender isso, mas fé e razão são coisas completamente distintas. Não é a toa que se diz que: “A palavra de Deus é loucura para os sábios”.



3 comentários:

Anônimo disse...

Alexandro, todo peregrino passa pela dificuldade de explicar as razões pelas quais vai fazer o Caminho. Essas razões geralmente são as mais diferentes possíveis, mas elas brotam, crescem e nos conduzem ao Caminho.
Uma coisa é certa: ninguém volta o mesmo de lá!! A experiência é antes de tudo uma experiência de vida!!
Como sugestão, tendo lido aqui alguns comentários sobre o Caminho, vc poderia fazer uma pequena pesquisa sobre a história do Caminho e informar coisas como: Quem foi Santiago, como o Caminho nasceu, as variantes do Caminho, dentre outras. Realmente há muita gente que não tem a menor idéia do que é o Caminho de Santiago.
Um abraço!

Luciana

Luiza disse...

Agora sim captei vossa mensagem, digníssimo amigo. :)

Anônimo disse...

Olá !!! Alexandro

Bom nessa data, acho que vc já realizou sua peregrinação...Espero que tenha gostado bastante.
Eu descobri o Caminho lendo livros do Paulo Coelho, e me encantei por este fantástico Caminho. Sabe eu tbm já fiz o TLC, aqui da minha cidade, amei o retiro e tenho vontade de um dia fazer o Caminho de Santiago, mas sinto que ainda não estou preparada.
Um forte abraço....Rose